A história dos Dragões

Enviado por: NUB
11/04/2012 15:48:38 0 / 0

Hoje o assunto será Dragões! As criaturas mais fascinantes e poderosas que existem na mitologia em geral.

Do Oriente ao Ocidente existem lendas e mais lendas sobre essas grandiosas criaturas, que estão frequentemente presentes nos games. Está na hora de conhecer um pouco mais sobre elas.

Drogon e Daenerys, das Crônicas de Gelo e Fogo. (Clique na imagem para ampliar.)

Dragões são criaturas presentes na mitologia de diversos povos e civilizações. São representados como animais de grandes dimensões, normalmente semelhantes a imensos lagartos ou serpentes, muitas vezes com asas, plumas, poderes mágicos ou hálito de fogo, sendo este último praticamente presente em todos os tipos de todas as mitologias. A palavra dragão é originária do termo grego drakôn, usado para definir grandes serpentes.

Em diversos mitos eles são apresentados literalmente como grandes serpentes, como era inclusive a maioria dos primeiros dragões mitológicos. A variedade de dragões existentes em histórias e mitos é enorme, abrangendo criaturas bem mais diversificadas. Apesar de serem presenças comuns no folclore de povos tão distantes como chineses ou europeus (Vikings!), os dragões assumem, em cada cultura, uma função e uma simbologia diferente, podendo ser fontes sobrenaturais de sabedoria e força, ou simplesmente criaturas enormes e destruidoras que aniquilam cidades inteiras em um piscar de olhos.

Os Dragões talvez sejam uma das primeiras manifestações culturais ou mito criado pela humanidade.

Ainda há muita discussão sobre o que poderia ter dado origem aos mitos sobre Dragões em diversos lugares do mundo. Em geral, acredita-se que possam ter surgido da observação pelos povos antigos de fósseis de dinossauros e de outras grandes criaturas, como baleias ou crocodilos pré-históricos, tomados por eles como ossos de dragões.

Por terem formas relativamente grandes, geralmente, é comum que essas criaturas apareçam como adversários mitológicos de heróis lendários ou deuses em grandes contos épicos que eram passados entre as gerações dos povos antigos. Um bom exemplo é o conto dos doze trabalhos de Hércules, em que ele mata o Dragão Ladon, que guardava a árvore das maçãs de ouro para poder roubá-las em seu décimo primeiro trabalho.

É comum também que os Dragões sejam responsáveis por diversas tarefas míticas, como a sustentação do mundo ou o controle de fenômenos climáticos. Em qualquer forma, e em qualquer papel mítico, no entanto, os dragões estão presentes em milhares de culturas ao redor do mundo.

As mais antigas representações mitológicas de criaturas consideradas como dragões são datadas de aproximadamente 40.000 a.C., em pinturas rupestres de aborígines pré-históricos na Austrália. Pelo que se sabe, comparando com mitos semelhantes de povos mais contemporâneos, já que não há registro escrito a respeito, tais dragões provavelmente eram reverenciados como deuses, responsáveis pela criação do mundo, e eram vistos de forma positiva.

(Serpente gigante desenhada no canto direito da imagem.)

Na imagem acima podemos ver uma serpente com chifres sendo tocada por dois homens e subindo ao céu.

A imagem mais conhecida dos dragões é a das lendas célticas, escandinavas e germânicas, mas a figura é recorrente em quase todas as civilizações antigas. Talvez o dragão seja um símbolo chave das crenças primitivas, como os fantasmas ou espíritos vagantes por exemplo.

Há a presença de mitos sobre dragões em diversas outras culturas ao redor do planeta, dos Dragões com formas de serpentes e crocodilos da Índia até as serpentes emplumadas adoradas como deuses pelos astecas na América Central, passando pelos grandes lagartos da Polinésia e por diversos outros, variando enormemente em formas, tamanhos e significados.

No Oriente Médio os dragões eram vistos geralmente como criaturas demoníacas. A mitologia persa cita vários dragões, e um deles é Azi Dahaka que aterrorizava os homens, roubava o gado e destruía florestas. A cultura persa é de onde aparentemente se originou a ideia de grandes tesouros guardados por Dragões e que poderiam ser tomados por aqueles que os derrotassem, hoje tema tão comum em histórias fantásticas.

Dois dragões persas em luta. (Clique na imagem para ampliar.)

Na antiga Mesopotâmia também havia essa associação de dragões com o mal e o caos. Os dragões dos mitos sumérios, por exemplo, frequentemente cometiam grandes crimes, e por isso acabavam punidos pelos deuses, como Zu, um deus-dragão sumeriano das tempestades, que em certa ocasião teria roubado as pedras onde estavam escritas as leis do universo, e por tal crime acabou sendo morto pelo deus-sol Ninurta.

E no Enuma Elish, um conto épico babilônico que fala sobre a criação do mundo, também há uma forte presença de dragões, sobretudo na figura de Tiamat (não é o da caverna do dragão). No mito, a dracena (termo correto para Dragão fêmea, e não dragoa) Tiamat, apontada por diversos autores como a encarnação do oceano, e seu consorte mitológico Apsu, considerado como a encarnação das águas doces sob a terra, unem-se e dão à luz os diversos deuses mesopotâmicos. Apsu, no entanto, não conseguia descansar na presença de seus filhos, e decide destruí-los, mas é morto por Ea, uma de suas filhas. Para vingar-se, Tiamat cria um exército de monstros, dentre os quais 11 que são considerados dragões, e prepara um ataque contra os jovens deuses. Liderados pelo mais jovem entre eles, Marduk, que mais tarde se tornaria o principal deus da mitologia babilônica, os deuses vencem a batalha e se consolidam como senhores do universo. Do corpo morto de Tiamat são criados o céu e a terra, enquanto do sangue do principal general do seu exército, Kingu, é criada a humanidade. O Dragão de Mushussu é subjugado por Marduk, se tornando seu guardião e símbolo de poder.

Tiamat vs Marduk.

Na China, a presença de dragões na cultura é anterior até mesmo à linguagem escrita e persiste até os dias de hoje, quando o dragão é considerado um símbolo nacional chinês. Na cultura antiga, os dragões possuíam um importante papel na previsão climática, pois eram considerados como os responsáveis pelas chuvas. Assim, era comum associar os dragões com a água e com a fertilidade nos campos, criando uma imagem bastante positiva para eles, mesmo que ainda fossem capazes de causar muita destruição quando enfurecidos, criando grandes tempestades. As formas quiméricas do dragão Lung chinês, que misturam partes de diversos animais, também influenciaram diversos outros dragões orientais, como o Tatsu japonês.

Nos mitos do Extremo Oriente os dragões geralmente desempenham funções superiores à de meros animais mágicos, muitas vezes ocupando a posição de deuses. Na mitologia chinesa os dragões chamam-se long (Sim, o Shen-Long do dragon ball foi baseado nisso) e dividem-se em quatro tipos: celestiais, espíritos da terra, os guardiões de tesouros e os dragões imperiais. O dragão Yuan-shi tian-zong ocupa uma das mais altas posições na hierarquia divina do taoísmo. Ele teria surgido no princípio do universo e criado o céu e a terra.

Nas lendas japonesas os dragões desempenham papel divino semelhante. O dragão Ryujin, por exemplo, era considerado o deus dos mares e controlava pessoalmente o movimento das marés através de joias mágicas.

(Dragão chinês estilizado.)

Na mitologia nórdica, a visão negativa de dragões é bem representada na lenda de Siegfried e Fafnir, em que o anão Fafnir acaba se transformando em um dragão justamente por sua ganância e cobiça durante sua batalha final contra o herói Siegfried. Nesta mesma lenda também pode ser visto um traço comum em histórias fantásticas de dragões, as propriedades mágicas de partes do seu corpo: na história, após matar Fafnir, Siegfried assou e ingeriu um pouco do seu coração, e assim ganhou a habilidade de se comunicar com animais.

Serpentes marinhas como Jormungand, da mitologia nórdica, eram o pesadelo dos Vikings; por outro lado, a proa de seus navios era entalhada com um dragão para espantá-lo. Esses navios, chamados Dracarese, faziam menção ao nome Draco que significa Dragão.

Mas até agora eu falei de dragões e não expliquei como é que eles soltam o bendito fogo, pois o sopro de fogo dos dragões seria teoricamente possível, segundo estudiosos, caso seus pulmões pudessem separar alguns dos gases que compõem o ar e se fossem de um material tolerante ao calor. A centelha de ignição poderia ser obtida da fricção de dois ossos ou pela ingestão de minerais, que poderiam ser combinados quimicamente para gerar uma reação exotérmica.

Alguns acreditam que as glândulas salivares dos dragões produzissem alguma substância volátil que entrasse em combustão espontânea em contato com o ar, assim como o fósforo branco. Esta teoria para a origem do Fogo dos Dragões foi explorada no filme Reino de Fogo (Reign of Fire), em que uma raça adormecida de dragões despertou após a escavação de uma nova linha de metrô em Londres.

Baseada no princípio dos materiais pirofóricos, os dragões possuíam órgãos produtores de líquidos reativos, separados em seus corpos, mas que se uniam em forma de jato combustível quando desejado, a frente de suas bocas quando espirrados a alta pressão por glândulas salivares especiais, se combinando numa espécie de Napalm orgânico extremamente inflamável. Combinando esta mistura com o sopro de ar de expiração rápida do animal, o resultado se traduzia numa potente e longa chama capaz de incendiar e destruir tudo em seu caminho.

(Típico Dragão ocidental.)

Tudo o que você acabou de ler é simplesmente considerado como uma fonte de inspiração infinita para a literatura, cinema, videogames e quadrinhos.

Existem atualmente muitos jogos nos quais os Dragões são explorados como seres poderosíssimos, e um ótimo exemplo é Skyrim, em que a história toda do game gira em torno da mitologia nórdica e dos Dragões que ela abriga.

Em The Elder Scrolls V: Skyrim, os Dragões são no estilo ocidental e representados como criaturas de extremo poder mágico, com inteligência, sabedoria e longevidade imensas, da mesma forma como são descritos nas lendas originais.

Outro jogo no qual essas fascinantes criaturas místicas estão com forte presença é Dragon Age, tanto no 1 quanto no 2, e também no novíssimo RPG da Capcom, Dragon's Dogma, o qual está sendo muito bem aguardado.

No cinema podemos testemunhar os seus poderes nos filmes Coração de Dragão, no qual um rapaz encontra o último dos Dragões e se torna seu amigo; Reino de Fogo, que conta a história de um Dragão vermelho adormecido embaixo da cidade de Londres e, quando ele acorda, simplesmente destrói tudo; e em breve veremos mais um incrível Dragão no filme O Hobbit, que está para ser lançado este ano.

Ainda existe o assunto sobre os Dragões na alquimia, mas isso já iria entrar em religião, então se quiserem saber mais cliquem aqui.

Fontes:

"A Origem das Espécies", Charles Darwin. Editora Itatiaia.

"Draconomicon", Andy Collins, Skip Williams. Wizards.

"Enciclopédia dos Monstros", Gonçalo Junior. Ediouro.

"Estudos Alquímicos", C. G. Jung. Editora Vozes.

"Arkanun", Marcelo Del Debbio. Daemon Editora.

"Religiões do Mundo", Brandon Toropov. Madras Editora.

BETA
Comente pelo facebook
Último está em cima - alterar?
O que já falaram
0 / 0
Tengri em 12/04/2012 19:42
MrGame disse:
Impressionante post! Agora vou montar no meu Tiamat. Tchau galera!
Bye Bye!! ^^
Quando seu Tiamat tiver filhotes agente se fala!! hauahua
0 / 0
MrGame em 12/04/2012 13:31
Impressionante post! Agora vou montar no meu Tiamat. Tchau galera!
0 / 0
Tengri em 11/04/2012 19:27
Parabéns, ótimo texto!!! Adoro dragões, se eu pudesse ter um de estimação sou ser hibrido(meio humano, meio dragão) eu tava feliz. hauhauahauhauahauahu

Mesmo sendo um fã dessa criatura incrível, eu não sabia de um bocado de coisa que foi dito no texto, então, mais uma vez, parabéns pelo texto, foi muito informativo pra mim! ^^
1
Faça login ou cadastre-se
Envie seu comentário
Leia também
17/10/2014 11:45:22 0 / 0
16/10/2014 15:25:32 0 / 0
15/10/2014 16:42:38 0 / 0
Top Games
Estamos no Facebook