Fantásticas franquias de JRPG

Enviado por: sergio sampa
10/04/2012 11:28:46 4 / 0

Recentemente li uma reportagem sobre as opiniões nada agradáveis do desenvolvedor indie Phil Fish sobre o mercado japonês de games. Phil disse na GDC 2012 que considerava os games japoneses atuais um lixo.

E não é só Phil que pensa assim. Virou moda hoje em dia falar mal de jogos não ocidentais, principalmente JRPGs. Por isso resolvi falar de alguns, mostrando que isso não é bem assim.

Generalizar é muito fácil, quando não se tem uma base necessária para validar seu argumento. É visível que algumas franquias japonesas não estão tão bem atualmente, mas, existem as que ainda fazem sucesso, criam hype ao serem anunciadas e vendem consoles.

RPGs japoneses foram grandes sucessos nas duas gerações de videogame passadas. Quem joga os "perfeitos" jogos de RPG ocidentais de hoje, e os idolatra, talvez nunca tenha jogado um bom JRPG, nunca tenha experimentado viver personagens prontos com personalidade, ou até mesmo enfrentado uma porção de batalhas aleatórias.

Qual a ideia básica de um JRPG? É viver uma trama criada pelos desenvolvedores, com personagens interessantes, que fazem parte de uma história e têm influência sobre ela.

Eu particularmente tenho outra ideia. Acho que os JRPGs são uma forma de se "jogar um anime". É isso mesmo, as semelhanças a um desenho animado japonês ou a um mangá são muito grandes. Há sempre um herói que vive uma história épica e, com o passar do tempo, acumula amigos, rivais ou inimigos. Os acontecimentos que definem a história do JRPG ou anime se desenrolam de maneira parecida. Se você olhar bem, cada arco de história nos JRPGs se parece com episódios de anime.

Quem assiste a Naruto, Cavaleiros do Zodíaco, One Piece, Zillion, sabe como é um enredo desse estilo. Por isso, considero os JRPGs uma forma de estar na pele de um personagem de anime.

Fiz uma lista de alguns JRPGs que considero os mais relevantes. Obviamente, existem outros, mas não há como falar de tudo. Se você ainda não jogou um JRPG, eis a chance de conhecer algum que lhe interesse. Para não ser injusto com um ou outro título, a lista não é do tipo Top, ou seja, não tem colocações.

Grandia


Grandia é uma franquia composta de três ótimos games: Grandia 1, 2, 3 e tambémd o péssimo Xtreme. Foi criada em 1997 e o primeiro game saiu para Sega Saturn e fez bastante sucesso. Dois anos depois foi convertido para PSOne, e se consagrou como um dos melhores da geração 32 bit.

No game, você está na pele de Justin, um garoto que sonha ser um aventureiro. Ele e sua amiga de infância, Sue, partem pelo mundo, em busca da verdade sobre uma profecia de uma antiga civilização e também sobre o que haveria após o "Fim do Mundo".

O planeta de Grandia é dividido em duas partes por um enorme muro. Cada parte acha que a outra não existe ou não é habitada. E o "Fim do Mundo" de que todos os personagens falam é esse muro.

Durante o game, eles conhecem outros personagens que os ajudam, como a aventureira profissional Feena. Justin e seu grupo vivem se metendo em confusão, principalmente quando encontram o grupo Garlyle Forces, que também está atrás dos mistérios do Fim do Mundo.

O jogo tem uma história muito boa, interessante do começo ao fim. Você percebe que, com o tempo, os integrantes do grupo de Justin vão se conhecendo melhor e acabam por se tornar amigos de verdade.

São hilárias as cenas de comédia. Uma inovação muito bem-vinda foi o "Simulador de Jantar" (conforme eu o apelidei). Às vezes, os personagens fazem uma pausa durante a aventura para dormir e o game mostra uma cena deles sentados ao redor de uma mesa fazendo uma refeição. Durante esse modo, você pode simplesmente terminar de comer, ou conversar com os personagens do grupo e tentar descobrir mais sobre a história. Normalmente, se você fala alguma besteira, alguém fica nervoso e você tem que começar o diálogo novamente.

O sistema de batalha é inovador. Os personagens e inimigos aguardam sua vez para executar sua ação, que por sua vez pode ser feita quando termina o tempo de espera que é baseado em seus pontos de atributo. Todos os presentes na luta são representados com um ícone, numa linha reta. Quando o ícone correspondente de alguém chega no canto ele pode fazer sua ação.

Você pode tanto usar as magias, itens e técnicas especiais, como também dois ataques comuns consecutivos ou um único ataque concentrado que causa mais dano e retarda a posição do inimigo na "barra de tempo". Não é alinhamento dos personagens durante a luta, eles podem andar pelo cenário e se distanciar dos monstros, infelizmente não são controlados pelo hoystick quando estão na batalha.

Grandia 2 teve uma nova trama e sistema parecido. Saiu em 2000 para Dreamcast e foi porcamente portado para PS2 e PC. A história não é tão divertida como o primeiro game, mas tem bons personagens e tem como tema o fim do mundo que ocorreria na chegada do novo milênio. Nesse game, o que separa o mundo em dois é um enorme precipício.

Grandia Xtreme, lançado para PS2, é bem inferior tanto em história como em gráficos; além de ser considerado não canônico com a história oficial.

Existem outros jogos da franquia, mas o melhor entre eles, o mais divertido, com melhor desenvolvimento de roteiro e nível de diversão é o primeiro (tudo isso supera o "defeito" de ele ter gráficos de PS1). Portanto, se você não conhece Grandia, jogue o primeiro. Atualmente ele está disponível na PSN. Grandia 2 tem para PC, PS2 e Dreamcast. E Grandia 3 saiu para PS2.

Valkyrie Profile


Se você acha Grandia um jogo com gráfico muito puxado para anime, Valkyrie Profile tem outro estilo. Mesmo tendo traços orientais, ele apresenta um traço mais sério, e rico em detalhes.

Baseado na mitologia nórdica, em cada episódio de VP você joga com uma Valquíria que viaja pelo mundo dos humanos, em busca de almas de guerreiros para lutarem na guerra do Ragnarok.

No game destacam-se os gráficos 2D muito belos. Tanto os personagens como os cenários são muito bem animados e detalhados, desde o primeiro game lançado para PS1. Na época ele era feito pela Tri-Ace e pela Enix, que atualmente é parte da SquareEnix.

VP é para quem gosta de desafio, pois o game não é fácil. Ele divide a história em períodos e te dá certos objetivos para cumprir. Então, você acaba jogando sob pressão, pois, se não cumprir o objetivo, perde pontos, cai de ranking e recruta personagens piores para a batalha final do Ragnarok. É como ir para a escola e ficar todo o tempo sendo avaliado. Isso faz bastante sentido para os japoneses pois sua sociedade tem esse costume de cobrar muito das pessoas. VP retrata bem esse costume.

A batalha do game é bastante inovadora, sua Valquíria acompanhada de 1 até 3 membros representam um dos quatro botões do controle. Assim que um botão é apertado, seu personagem correspondente ataca o inimigo, e você pode apertar vários na sequência para fazer combos. Cada personagem tem apenas um tipo de ataque e um especial. Mesmo sendo simples, é necessário conhecer bem os inimigos para vencer a batalha.

Valkyrie Profile 1 tem para PS1 e um remake muito parecido para PSP que contém algumas CGs a mais. Valkyrie Profile 2 Silmeria saiu para PS2 e Valkyrie Profile Covenant of the Plume saiu para DS e segue um estilo RPG de tática, embora tenha bastante da mecânica dos outros jogos.

Indicado para quem quer um RPG difícil e que não liga que o jogo te cobre muito. Se você achar isso divertido, irá jogar um game com gráficos impressionantes, em qualquer uma das plataformas que escolher.

Breath of Fire


Antes de virar a empresa que lança jogos pela metade com o preço de completos, cobrando depois o restante em  DLCs, a Capcom fazia outros tipos de jogo, como a série de RPGs Breath of Fire.

O primeiro game, Breath of Fire, foi feito em parceria com a famosa Squaresoft. Na época, a Capcom ainda não tinha conhecimentos suficientes para criar um RPG do zero. Mas, logo na sequência, Breath of Fire 2 foi feito todo na Capcom.

Breath of Fire 3 e 4 saíram para PlayStation One, com novos gráficos, mas mantendo a qualidade da série. O quinto jogo, Breath of Fire Dragon Quarter, para PlayStation 2, se diferencia muito dos outros por se passar em outro mundo, e com mudanças muito profundas na mecânica, sendo um jogo de RPG com elementos de estratégia.

Nos 4 primeiros games, apesar de não serem sequências diretas, o mundo criado para a série é medieval, com pitadas de steampunk. No quarto game, existe também um continente puxado para um lado mais ocidental.

Na série, sempre existem dois personagens principais. Um deles é Ryu, um garoto meio dragão de cabelos azuis. E a outra é Nina, uma garota loira que tem asas, da raça Wyndian. Em cada game os caminhos dos dois se cruzam e, mesmo que eles não saibam, sua amizade tem uma profunda relevância para as tramas.

Breath of Fire 1 e 2 saíram para Super Nintendo e foram relançados para Gameboy Advance. Breath of Fire 3 saiu para PlayStation e foi relançado para PSP, aproveitando a tela wide do portátil. Breath of Fire 4 saiu para PlayStation e PC, e foi relançado para PSN para PS3 e PSP.

Tales of


Essa é uma série muito extensa. Diversos títulos foram lançados no Japão, e nem todos saíram no Ocidente. As histórias dos jogos são completamente diferentes uma da outra, seria muito complicado explicar as diferenças.

O grande diferencial na saga Tales of é seu sistema de combate que, em campos 2D ou 3D, são em tempo real. Enquanto muitos JRPGs são mais focados em batalhas por turno, Tales of tenta ser mais dinâmico. Se você não quer ser acertado, terá de aprender a escapar dos golpes. Logicamente, seus atributos contribuem para uma melhor evasão ou velocidade.

O primeiro game, Tales of Phantasia, foi lançado para Super Famicon em 1994 pela Namco. Ele trazia uma característica que, até então, considerava-se impossível para um game de cartucho: tinhas longas faixas de diálogo gravadas. Por conta do alto custo para tradução, ele nunca foi lançado para SNES no Ocidente. Em 1998, a Namco resolveu traduzir o game para o inglês, lançando-o para PS1 tanto no Japão como na Europa e USA; os diálogos falados foram mantidos em japonês. Mais tarde, um port foi feito para GBA e, para terminar, em 2006 uma versão refeita do zero foi lançada para PSP, mantendo o estilo de sprite 2D, mas aproveitando as capacidades do console.

Chrono Trigger e Cross


Chrono Trigger e Chrono Cross definem, com o perdão do trocadilho, o que seria a expressão "Aventura Épica Atemporal". Quando a Square Enix (Squaresoft na época) resolveu unir os criadores de Final Fantasy, Dragon Quest e Dragon Ball, o resultado  foi fantástico.

A aventura do primeiro game, Chrono Trigger, é boa do começo ao fim. Os personagens têm características marcantes e, a cada passo que você avança na trama, te dá mais vontade de prosseguir. É impressionante como esse jogo vende bem, não importando o console em que é vendido. Ele foi lançado para SNES em 1995 e é a versão mais famosa. Depois saiu para PS1 em 1999, quando foram inseridas ótimas cenas em anime e loading times irritantes. Depois, em 2008, o DS recebeu uma conversão, contendo mais finais, uso da tela de toque, sem loadings demorados e melhorias na distribuição do som. Atualmente, a versão de PS1 é vendida na PSN.

Na história você está na pele de Crono, um garoto amigo de uma cientista que descobre um meio de viajar no tempo. Com isso, os dois conhecem outras pessoas que se tornam seus parceiros e, juntos, devem impedir que um terrível ser maligno destrua o planeta no ano apocalíptico de 1999.

Chrono Cross não teve a participação total do mesmo time do primeiro game, porém, manteve a qualidade e novos personagens deram continuidade à trama de CT. Um fragmento do alien que queria destruir a terra continuou vivo. Ele se funde com uma espada lendária e um novo herói, agora capaz de viajar por dimensões, deve acabar com essa ameaça.

Falando assim, por cima, a história parece simples demais. Mas, na verdade, é completamente o oposto. A forma como tudo acontece é muito bem desenvolvida e orquestrada. Cada parte da aventura influencia em fatos que podem mudar o passado ou o futuro. Os personagens parecem reais, cada um tem seus medos, suas vontades e seus objetivos. Se você não conhece a série Chrono, não continue fazendo essa besteira, jogue o quanto antes e você entenderá aquilo que eu disse sobre "jogar um anime".

Concluindo

Essas foram apenas 5 séries, mas, existem muitas outras, como Phantasy Star, Star Ocean, Dragon Quest. Como você pode ver, citei várias e não falei de Final Fantasy. Fiz isso para calar aqueles trolls ignorantes que falam que RPG japonês é só Final Fantasy.

As dicas foram dadas, até mesmo em qual console você pode jogar os games mais antigos. Então, levante seu traseiro gordo e mãos à obra! Prepare-se para subir uns níveis na dungeon e, quem sabe, salvar um mundo que tem World Maps e Save Points!

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O que já falaram
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Tengri em 13/04/2012 11:33
ótima matéria.
Sou mega fã da série Final Fantasy, porem não existe só Final Fantasy de J-RPG, Chrono Cross e Trigger marcaram a minha vida. Existem, muitos outros J-RPG's bons por ai, basta procurar que irá achar!
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Tacconi/Onishuaaas em 10/04/2012 21:21
Ótima matéria, já joguei a maioria ai principalmente o Chrono Trigger, e Tales of Phantasia
RPG's São com certeza o melhor ou um dos melhores estilos de Games, com certeza!

Até...
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Sora em 10/04/2012 18:35
Ótima materia, não cheguei a terminar todos mas ja terminei os melhores.
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sergio sampa em 10/04/2012 16:31
Ah! Coloquei meu nome na matéria, e classifiquei como matéria, mas não salvei! Agora tá tudo resolvido!
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MrGame em 10/04/2012 13:31
Ficou simplesmente épica essa matéria! Mostrou os belos jogos J-RPGs que são melhores do que Final Fantasy.
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Édi_rpg em 10/04/2012 12:33
Posso dizer e comprovar que joguei todos e zerei todos, com muito orgulho e certeza.

Mas sem dúvidas a Square fez um magnifico trabalho em C.T e C.C. Por isto que na minha lista dos 5 mais Chrono Cross e Chrono Trigger estão em primeiro e terceiro lugar respectivamente.

Seja quem tive feito a matéria (mesmo eu sabendo quem seja), vez um ótimo trabalho, organizado e claro, muito bom mesmo hehehe.
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