O novo final de Mass Effect 3: um bom ou mau exemplo da Bioware, ou um bom ou mau exemplo dos jogadores?

Mass Effect 3 | 21/03/2012 18:51:09 2 / 0

Já sabemos que críticas em direção ao extremismo e queixas por propaganda enganosa na Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos levaram a Bioware a repensar o final do jogo Mass Effect 3. Mais do que isso: não só pensaram num outro desfecho como também vão lançar essa novidade em pacotes de conteúdo para download, os já manjados DLCs.

O que ainda não é possível prever são as consequências dessa decisão da Bioware para o futuro da criação de jogos, já que uma história pensada, escrita e planejada por seus criadores foi simplesmente rasgada para dar lugar ao desejo dos consumidores.

Os jogadores "sérios" sabem que a discussão em torno da arte de fazer jogos de videogame e os novos modelos de negócio impostos pela indústria rendem grandes debates e movimentam fóruns pelo mundo, a fim de promover o resgate dos conteúdos de qualidade nos títulos.

Em contrapartida, nos últimos anos, tornou-se uma tendência das franquias lucrativas se acomodarem no sistema "lançar logo, para vender logo, e lançar outro em seguida".

Só que o que aconteceu nessa atual discussão em torno de Mass Effect 3 extrapolou os muros da indústria e colocou como vilã uma figura até então tida como simples vítima desse modelo de negócios: o jogador, ou consumidor, ou cliente (não importa como se chamar).

Pela primeira vez, essas inocentes "vítimas" parecem ter conseguido levar ao extremo seu poder de consumo, destruindo qualquer forma de respeito que se deveria ter por profissionais de criação da indústria. Seu poder de fogo -- ou melhor, seu poder de compra -- aniquilou uma história já concluída, fechada, para fazer surgir qualquer outra coisa que acabe com a identidade de Mass Effect (o que importa é fazer com que suas necessidades enquanto compradores sejam atendidas).

Não é, de longe, uma questão de defender o final de Mass Effect 3. Qualquer coisa pode ser melhorada, atualizada e caber em pacotes de conteúdo para download. A questão é a proporção que esse embate tomou e o espaço que foi dado para que isso se tornasse uma avalanche.

Pouco tempo antes dessa decisão, durante uma palestra no museu norte-americano de arte Smithsonian, que está organizando a exposição "Arte nos Videogames", o diretor de criação da Mythic Entertainment, Paul Barnett, declarou que os jogadores que pediram por outro final não têm razão. "Se os jogos de videogame são arte, dou total apoio à ideia de que o autor tenha algo a dizer naquilo que deva acontecer, assim como faria J. K. Rowling para terminar os seus livros e assim dizer o que é o final de Harry Potter", argumentou.

Barnett defendeu seu colega de profissão Ken Levine, figura carimbada da Irrational Games, que na ocasião estava ao seu lado na palestra do museu e desabafou dizendo que sempre acreditou que a Bioware não deveria ceder à pressão dos fãs: "se essas pessoas conseguissem aquilo que querem e a Bioware escrevesse o final à maneira delas, seria de desapontar porque não o criariam (o final) verdadeiramente", ressaltou apontando que a situação o deixava triste.

As declarações de peso não foram suficientes para impedir que a Bioware anunciasse a revisão da parte final do jogo, tarefa realizada pelo cofundador da empresa, Ray Muzyka. No fórum oficial de Mass Effect, o executivo revelou que um novo desfecho já está em desenvolvimento e que detalhes a seu respeito surgirão em abril.

Sabe o que isso significa? A Bioware pode ter cometido um ato de desrespeito com seus próprios profissionais e cavado um buraco que pode permanecer aberto por vários outros anos, desencorajando debates em torno da arte de se criar jogos de videogame.

Faltou pulso para defender um projeto grandioso como Mass Effect 3. Faltou pulso para que chefes dos chefes, dos chefes dos criadores defendessem sua cria.

Com esse desfecho -- não o de Mass Effect 3 --, ainda não é possível saber se as palavras de Muzyka realmente foram pensadas para os fãs, como por exemplo quando ele ressaltou a importância da opinião de jogadores e suas críticas. Isso porque todos sabem que os pacotes de conteúdo para download, pagos ou não, são boas ferramentas para prolongar a vida útil de um projeto e, consequentemente, sua presença -- e faturamento -- no mercado.

Depois dessa, talvez Mass Effect 3 fique mais vivo do que nunca, transformando-se num case fantástico de "como detonar uma série de sucesso pode se tornar algo lucrativo"; basta fechar um roteiro e destruí-lo, basta construir uma história e desmanchá-la.

Basta ceder aos caprichos de um bando de moleques que tão cedo conheceu o poder do dinheiro na atual indústria de games e tão tarde pode descobrir o real valor de uma criação apaixonada. De uma obra de arte.

É aquela história: os produtores fingindo que fazem jogos de qualidade e os consumidores fingindo que compram jogos de qualidade.

No final, parece uma guerra sem lados, sem facções. Negócios, enfim.

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Renato12 em 22/03/2012 16:36
Nossa, e eu que pensei que esse jogo era massa.
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Ficha técnica
Gênero:
RPG
Lançamento:
06/03/2012
Desenvolvedor:
Bioware
Distribuidor:
Electronic Arts
Plataforma(s):
wiiuPS3360PC
O futuro mudou completamente, agora a massa fez efeito!
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