A Habilidade de sintonizar os olhos de qualquer um!
Enviado por cadinbr em 22/10/2007 às 11:28 (1 ano atrás)
Categoria: Reviews > Playstation 2 > Siren
O título do jogo é uma forma de trocadilho. O game se
ambienta numa cidade chamada Hanuda em um isolado vale japonês. Quando
uma sirene (que é a mesma palavra para sereia, aquela cuja voz
encantava navegadores) toca, as montanhas são substituídas por água
vermelha e todos as pessoas do local se transformam em shibito, uma
espécie de zumbi: a influência de mitologia oriental no game é pesada.
Jogadores
devem controlar um grupo bastante variado de 10 personagens, que devem
completar pequenas missões em dezenas de pequenos episódios. Todos
esses são conectados por uma planilha, já que a ordem cronológica das
missões e troca de personagem é aparentemente aleatória. Realizar
certos objetivos secretos (como encontrar chaves ou tentar arrombar
portas) destrava objetivos secundários em outras missões.
A
mecânica do game é bastante diferente. Os personagens contam com alguns
movimentos simples como correr, se agachar, usar armas e manipular
objetos - mas o verdadeiro truque é Sightjacking... a habilidade de
"sintonizar" os olhos de qualquer inimigo (ou amigo) e ver o mundo do
ponto de vista deles. Como os zumbis são imortais (podendo ser apenas
incapacitados temporariamente) e os personagens frágeis, essa função é
vital na hora de planejar os movimentos pelas ruas e bosques escuros ou
enevoados de Hanuda.
Essas características fazem com que toda a
experiência seja extremamente difícil - e a curta duração das missões
parece proposital para garantir que a constante repetição não se torne
demasiadamente frustrante. Planejamento acaba se tornando mais
importante do que reflexos rápidos, e fugir muitas vezes é a melhor
opção (e nem sempre o suficiente para impedir um Game Over. Mesmo
assim, "Siren" é um game apenas para jogadores habilidosos ou
EXTREMAMENTE pacientes.
Apesar da mecânica original, o tecer da
trama é definitivamente o aspecto mais elaborado de "Siren". A enorme
planilha de personagens e horários dos três dias de duração do game
podem parecer completamente absurdos no começo, mas pouco a pouco o
panorama dos acontecimentos começa a fazer mais sentido. Isso é
possível através de diversos itens (documentos, cadernos, diários,
jornais) que são encontrados durante a partida e podem ser lidos e
relidos a qualquer momento. A união desses textos e imagens lentamente
explicam a motivação de cada um dos protagonistas, assim como as causas
desse bizarro evento. Com a possibilidade de múltiplos caminhos, jogar
mais de uma vez a maioria das missões garante um alto valor de replay a
"Siren".
A produção do jogo é
excêntrica, mas eficiente. O uso de atores para compor as faces (ao
invés de animações) ajuda a aumentar a tensão. Os ambientes escuros
parecem tão mortos quanto os shibito - a tensão chega a ser palpável. O
departamento sonoro segue o mesmo padrão: os efeitos sonoros utilizam
uma tecnologia para simular 3D que mergulha o jogador nesse mundo
estranho, aterrorizando qualquer um - seja com o bipe de um orelhão ou
o respirar ofegante dos shibito. A única ressalva está na dublagem do
game: todos apresentam vozes com sotaque britânico, algo que acaba
sendo uma enorme distração em algo tão oriental. E a ausência de
legendas (provavelmente para aumentar a imersão) faz desse um game
apenas para os totalmente fluentes no idioma.
Siren não é um
jogo para qualquer um. Sua preocupação em perturbar mentalmente parece
muito maior do que o interesse do diretor em fazer dele um produto
acessível. Mas quem busca um bom susto e está disposto a pagar o preço
viverá uma das mais elaboradas aventuras do gênero disponível nos
videogames.
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