Final Fantasy VII completa 15 anos hoje: veja como ele deu um novo rumo à indústria dos games!

Por: sergio sampa
Dirge of Cerberus: Final Fantasy VII | 31/01/2012 18:50:10 7 / 0

Há exatos 15 anos, o mais famoso e influente J-RPG foi lançado no Japão. E não vou começar com "parece que foi ontem" ou algo mais clichê, pois afinal as coisas mudaram de lá para cá.

Podemos dizer que o game Final Fantasy VII (FFVII) marcou profundamente a indústria dos games, definindo uma era de consoles e tendo até hoje relevância entre os jogos on-line.

Neste post de 15 anos de Final Fantasy VII não irei comentar sobre personagens, enredo ou especular se existe um RPG melhor (porque não estou dizendo que é o melhor, eu disse que é o mais influente). Focarei naquilo que Final Fantasy VII representou tanto para os gamers quanto para a indústria.

Uma breve e grande história

Em meados da década de 90, os consoles 16-bit já apresentavam sinais de cansaço e as duas empresas de games mais famosas da época, Sega e Nintendo, já preparavam suas novidades.

Enquanto o PlayStation da Sony era um console novo e ainda sem muita relevância, as pessoas acreditavam na permanência da rivalidade entre Sega e Nintendo.

A Sega havia lançado seu Sega Saturn um ano antes do PlayStation, e a Nintendo ainda estava desenvolvendo seu próximo console, conhecido como Ultra 64 -- a companhia mudou o nome de seu novo aparelho para Nintendo 64 (N64) e ele foi lançado em 1996.

Diferente do PlayStation e do Sega Saturn que usavam CD como mídia, o N64 utilizava cartuchos, que eram muito mais caros para serem produzidos e tinham uma capacidade de armazenamento muito inferior.

Isso foi o estopim para algumas empresas duvidarem do sucesso do console, mesmo a Nintendo tendo dominado as duas gerações de consoles anteriores. Enquanto a Sega e a Sony exibiam animações em computação gráfica em seus consoles (as famosas CGs, ou Cinematics), a Nintendo mostrava apenas animações simples utilizando os próprios recursos gráficos do console.

Uma das empresas que acabou abandonando a Nintendo foi a Squaresoft (atual Square Enix), que era muito conhecida no Japão pelos seus jogos estilo RPG. Final Fantasy VII aparentemente estava sendo produzido para Nintendo 64, mas a baixa capacidade de armazenamento dos cartuchos do console não suportaria a monstruosa quantidade de cenários pré-renderizados e animações em CG que o game necessitava.

Assim, a Square bateu na porta da Sony e foi recebida de braços abertos.

Até aquele momento, o Saturn e o PlayStation andavam praticamente juntos quando o assunto era venda de consoles. O Saturn tinha vários games convertidos dos Arcades da Sega e era como ter um fliperama em casa. Já o PlayStation começava a ter destaque com outros jogos do estilo, como Ridge Racer, Time Crisis, Tekken e Toshinden Battle Arena.

Quando Final Fantasy VII foi anunciado para o console da Sony, as coisas começaram a mudar. Como na época a internet era para poucos, as revistas traziam todo mês mais e mais notícias sobre o game, com fotos e detalhes do enredo.

Final Fantasy VII Beta

As imagens mostravam algo totalmente diferente do que era visto na série e em outros RPGs. Os cenários eram feitos em estações gráficas com poder muito superior à capacidade do PlayStation. Em seguida, eram transformados em imagens, passados para o jogo, e neles uma área era definida mostrando onde o personagem do game poderia andar, posicionando-o na perspectiva correta, de acordo com a imagem de fundo estática. As cenas em CG, mesmo "paradas" nas revistas, eram de chocar, tamanha a qualidade.

Quanto mais a data de lançamento se aproximava, mais os gamers ficavam ansiosos pelo game. Um fato diferente até então foi que, pela primeira vez na história da franquia, um Final Fantasy fez tanto burburinho fora do Japão. O jogo era tão grande que não coube nem mesmo no CD do PlayStation: a Square anunciou que ele seria lançado não em um, nem em dois, mas em três CDs! Era motivo para qualquer um comemorar!

No lançamento de Final Fantasy VII, filas imensas foram formadas no Japão e muita gente importou o game para jogar em japonês mesmo, já que a versão em inglês demoraria alguns meses mais para sair.

Mesmo assim, quando o game saiu em inglês o sucesso foi imenso. A partir daí, a Sega viu o interesse em seu console diminuir cada vez mais e a Sony passou para líder em venda de consoles. O Nintendo 64 vendeu bem no começo de sua vida, por conta do sucesso de seu antecessor, o Super Nintendo, mas não foi fácil manter esse legado.

Cloud, Tifa, Barret, Aeris, Red XIII e outros se tornaram famosos de um dia para o outro, junto com a fama do game. E todos criaram ódio mortal pelo vilão Sephiroth após ele fazer "aquilo naquela cena" no final do primeiro CD.

Abertura do game

Um capítulo ainda insuperável e seus inúmeros spin offs

Após o sucesso de Final Fantasy VII, percebeu-se uma enxurrada de games do mesmo estilo invadindo o mercado, tanto o japonês quanto o americano e europeu. Com certeza, essa foi a geracão em que os J-RPGs mais prosperaram, considerando desde o Dragon Quest da Enix até o Pokémon da Nintendo.

O que facilitou também a ascendência do PlayStation foi a política de criação de games por third-parties. A Sony era bem "aberta" nesse sentido e muitas empresas, inclusive pequenas, podiam programar para o console.

Com o tempo, outros jogos surgiram para PS1 e assim o console ganhou uma fama jamais esperada pelas pessoas. E tudo começou com Final Fantasy VII, que foi pensado à frente de seu tempo, trouxe personagens marcantes e uma história não muito complexa, de fácil assimilação.

Tal feito ainda não foi repetido ou ultrapassado por outro capítulo da série. Mesmo com melhores gráficos, vozes digitalizadas e personagens com proporções humanas, algo parece faltar. Talvez porque FFVII foi o primeiro jogo da série apresentado realmente ao mundo todo. Não que não existissem anteriormente outros jogos da franquia fora do Japão, mas o impacto revolucionário do sétimo capítulo é o que o destaca.

A Square sempre foi conhecida por criar um Final Fantasy, fazer sucesso com ele e já se preparar para criar um novo capítulo totalmente novo, com novos personagens, novo enredo, porém utilizando alguns elementos já tradicionais na série, como os Chocobos, o personagem Cid, magias, trabalho em equipe etc.

Após Final Fantasy X, quando a empresa se fundiu com a Enix -- até então sua rival máxima na guerra sobre quem fazia o melhor J-RPG --, algo mudou. A companhia decidiu fazer uma continuação intitulada Final Fantasy X-2, ampliando o universo criado pelo game e dando um novo final aos seus protagonistas. Mesmo não tendo sido tão bem aceito, ele vendeu bem e abriu portas para novas ideias, para outros spin offs.

A série mais famosa e de maior lucro da empresa sempre foi o Final Fantasy VII. Então, nada mais óbvio que expandir esse universo. Assim, surgiram vários jogos e um filme para retratar momentos anteriores e posteriores ao game original.

Before Crisis, lançado somente para celular no Japão, contava um pouco sobre os turks da Shinra. Em seguida, Final Fantasy VII: Crisis Core para PSP falava sobre o passado do personagem Zack, uma das chaves para os segredos do game principal. Então veio o filme em CG "Final Fantasy VII Advent Children", lançado inicialmente em Blu-ray, que se passava após o game original e mostrava que havia possibilidades de o vilão principal da saga voltar à vida. Por último, Dirge of Cerberus: Final Fantasy VII, um jogo de tiro protagonizado pelo ex-Turk Vincent Valentine lutando contra uma ramificação ainda existente dos vilões secundários da trama principal.

Recentemente, o filme foi relançado em Blu-ray com cenas extras, animes e outros vídeos que complementavam ainda mais a saga. No Japão a lista é mais extensa, com livros, arquivos de áudio e muita bugiganga para ser comprada, como bonecos de personagens, pelúcias etc.

A Square aprendeu que essa era a forma de ter ainda mais lucro com seu game mais famoso. Porém, antes mesmo dessa compilação de games, já havia lançado outros games como Ehrgeiz e Kingdom Hearts, que em parte obtiveram sucesso devido à participação de alguns personagens de Final Fantasy VII.

Hoje em dia, Cloud e Sephiroth estão nos dois jogos de luta da empresa: Dissidia Final Fantasy e Dissidia 012 Duodecim, ambos ao lado de outros vilões e heróis de outros capítulos da série.

O legado que todos precisam conhecer e viver

A visão dos gamers em relação ao Final Fantasy VII é bem váriável. O pessoal mais velho, em geral, conheceu o game, sabe de seu legado. Porém, os gamers mais novos desconhecem o jogo e muitos não têm a mínima vontade de conhecê-lo, por conta dos gráficos agora "defasados", falta de dublagem.

Talvez por isso seria interessante um remake do game original, com gráficos atualizados. Só que a Square não parece nem um pouco interessada em fazer isso, pelo menos não enquanto os spin offs estiverem vendendo tão bem. Todo o mundo sabe que esses spin offs são comprados principalmente por quem jogou o game original, enquanto os gamers mais novos não se interessam tanto. Por isso, quando os gamers mais antigos já estiverem saturados de tantos spin offs, aí sim será a hora de a Square tentar ganhar um novo público com um remake que os agrade.

Penso em várias outras teorias que poderiam ser o motivo de o game não ter um Remake. O game original possuía muitos ambientes diferentes, de uma tela para outra, tudo no cenário mudava drasticamente, muito mais que no Final Fantasy XIII. Acredito que sairia muito caro reproduzir todos esses cenários novamente, ainda por cima rodando com os gráficos em tempo real dos consoles. Por não possuir vozes, os personagens não controláveis falavam textos e mais textos -- em todas as cidades eles existiam aos montes --, o que significa que também não iria sair muito barato dar voz a tudo isso. 

Por ter personagens em SD, algumas cenas de alívio cômico ficavam muito boas no game original, como quando Cloud desce por um cano, usando-o como escorregador para chegar num Reator. No momento de uma explosão, em uma torre, Barret agarra uma corda para escapar de lá, no melhor estilo Tarzan; Cloud senta em seus braços, e Tifa nos braços de Cloud. Em outra ocasião, Cloud está passando de loja em loja da região da favela de Midgar, buscando produtos para se fantasiar de mulher e conseguir entrar na casa do "cafetão" do bairro.

Agora, imagine essas cenas com personagens baseados em proporções humanas, esses com o novo estilo adotado pela Square! Certamente, os produtores não estão querendo fazer um Cloud humano vestido de mulher...

O mais impressionante é que o jogo original, mesmo estando tão "defasado" hoje em dia, vende muito bem na PSN.

Final Fantasy VII é o jogo mais vendido na PS Store. Até o fim do ano passado, ele havia vendido em torno de 17 mil cópias digitais, mais que o dobro do segundo colocado, Final Fantasy VIII, seguido de Final Fantasy IX, Metal Gear Solid e Final Fantasy Tactics. Como dá para notar, a franquia ainda "imprime dinheiro" com os games antigos, mesmo que os realmente novos não estejam assim tão bem das pernas.

Se por algum motivo você ainda não conheceu Final Fantasy VII, chances ainda existem. Talvez exista algo além daqueles gráficos antigos, bonecos sem dedo e roupas sem textura. Pode ser a música, a história, os personagens, ou o legado que ele criou (e a marca PlayStation que ajudou a estabelecer no mercado).

Para comemorar os 15 anos de Final Fantasy VII, podemos assistir ao tech demo do PlayStation 3 e torcer para que um dia a Square resolva fazer um remake à altura do original.

Uma Square reticente diante dos 15 anos

Um fato curioso é que, mesmo com a data comemorativa de FFVII, a Square não postou nada em nenhum dos seus sites oficiais, nem mesmo no japonês! Poxa, Square, custava fazer pelo menos um bolinho?

Aguardem. Um dia poderei fazer uma matéria detalhando os personagens e a história do game.

[Atualização]

Acabei de dizer que a Square não fez nem bolo para o "niver" de FFVII e nossos colegas de profissão do IGN acabaram de postar essa imagem que eles mesmo fizeram:

Agora dá pra comemorar!

BETA
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Último está em cima - alterar?
O que já falaram
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X. Hunter em 21/11/2012 16:44
ei pessoal como faço pra add esse jogo na coleção da minha conta e dar nota a ele quero curtir os tempos de um jogo bom de verdade !!!!
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Sora em 25/02/2012 23:37
Final Fantasy sempre será o melhor!
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Lucas Ramos em 21/02/2012 21:16
FF Forevermente Forever
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JT14 em 10/02/2012 13:39
Tirando o bola que ficou com uma cara horrenda, a matéria ficou ótima.
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Rpg_Xpert em 01/02/2012 23:12
Sobre a parte que foi falada das partes cômicas do jogo, essa parte é bem engraçada!! Imagine quando a Square Enix fazer um remake, com aquela parte em que o Barret fica dando os pulinhos de raiva, ou naquela parte em que ele sobe escalando o elevador, kkkkkk...

A parte que ficaria mais engraçada ainda seria aquela briga de tapas entre a Tifa e aquela outra mulher, como ficaria nos gráficos do PS 3? kkkkkkkkkkkkk...
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MrGame em 01/02/2012 11:21
É um jogo legendário!!!! Cloud e Sephiroth, a música em latim, Sephiroth de uma só asa...
É um dos 10 melhores e importantes jogos já feitos nesse mundo.
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LionHeart em 01/02/2012 00:20
kkkk'
e nessa data tao especial eu finalmente consegui rodar o FF VII em portugues no ps3.Aleuia
msm n sabendo q era aniversario do FF VII eu comemorei do melhor geito possivel, tendo o enredo do primeiro cd quase inteiramente traduzido ao portugues!
haha agora eh kestao de tempo pra zerar!
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Tengri em 31/01/2012 23:09
Parabéns Final Fantasy VII, um dos melhores que já joguei!!
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Fernando Katayama em 31/01/2012 21:35
Édi_rpg disse:
Final Fantasy completando 15 anos e o Sergio é que faz a matéria eu não podia pedir coisa melhor.

É isso mesmo que o Édi disse; bela matéria, Sérgio! Fez eu me lembrar do tempo que a gente comprava revista só pra ver como o jogo tava ficando... E com certeza FFVII foi decisivo na guerra dos consoles daquela época: foi uma verdadeira punhalada em quem vivia puxando o saco dos 64 bits do N64: nenhum videogame poderia processar aqueles belíssimos cenários, então restava deixá-los pré-renderizados mesmo, gravados em CD, ainda que não desse pra interagir com eles. Ficaram realmente como pinturas, deleite visual; pra apreciar mesmo, sem tocar. Fora que todo mundo parava pra ver as CGs. Nunca os 32 bits do PlayStation poderiam render tanto -- a ponto de muita gente chegar a acreditar que era mesmo o PlayStation que estava gerando tudo aquilo...
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Édi_rpg em 31/01/2012 19:46
Final Fantasy completando 15 anos e o Sergio é que faz a matéria eu não podia pedir coisa melhor.

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Ficha técnica
Gênero:
RPG
Lançamento:
15/08/2006
Desenvolvedor:
Square Enix
Distribuidor:
Square Enix
Plataforma(s):
PS2
A versão de PC foi lançada pela EIDOS e teve diversos erros corrigidos. E claro, com FFVII você não se decepciona
7.6
n/d
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