Lib Classic: Conheça os Crossovers entre Marvel e Capcom

Por: sergio sampa
Marvel vs. Capcom 3: Fate of Two Worlds | 11/02/2011 11:37:40 2 / 0

Devido ao lançamento de "Marvel vs. Capcom 3" pela Capcom (que sai dia 15 de fevereiro, embora a versão "Jack Sparrow" para 360 já esteja rolando por aí), resolvemos trazer de volta uma megamatéria sobre os games da franquia já lançados.

Ela foi atualizada e ampliada também! Espero que gostem do texto! E não deixem de comentar!

Pioneira nos jogos de luta 1 contra 1, a Capcom fez sua fama na década de 90.

Na década anterior, ela lançou "Street Fighter 1", que foi uma revolução para a época, com gráficos inovadores e botões que mediam a força do seu golpe de acordo com a pressão com quem eram apertados. Mesmo assim, seu sucesso foi mediano. Talvez sua jogabilidade dura e às vezes falha tenha afastado as pessoas.

Foi em 1991 que a Capcom veio com "Street Fighter II", um sucesso de público e crítica. Foi um verdadeiro formador de filas nos fliperamas, mais tarde, recebendo upgrades e conversões para consoles domésticos. Ryu, Ken, Chun-li, entre outros, se tornaram famosos do dia para a noite e vários clones foram lançados no mercado por outras empresas.

Em 1994, a Capcom trouxe a versão máxima de "SFII", o "Super Street Fighter II Turbo", que trazia os 16 personagens da série "Super" e o novo vilão secreto Akuma. Foram incluídos também os Super Combos, que eram carregados conforme se atacava e, ao completar uma barra no canto inferior da tela, um Golpe poderoso era habilitado podendo reverter o placar das lutas. Todos os personagens, durante os vários jogos, foram melhorando pouco a pouco chegando a ficar bem equilibrados, tornando "SSFII Turbo" um dos jogos de luta da Capcom mais jogados até hoje.

Com a concorrência na cola, trazendo diversos títulos de luta interessantes, a Capcom resolveu expandir suas franquias de games de luta lançando "DarkStalkers", em 1994 também. O jogo apresentava um estilo gráfico diferente que lembrava desenhos animados japoneses. A fluência de animação era bem melhor e o jogo tinha como tema personagens de história de terror e lendas urbanas.

Em 1995, a Capcom pretendia lançar um jogo de luta com mechas (robôs gigantes), então ela aproveitou os sprites do jogo "Armored Warriors/Powered Gears" e criou "Cyberbots; Fullmetal Madness". Este até chegou a fazer um sucesso mediano, mas não chegou a ter continuação. Assim mesmo, alguns de seus personagens se tornaram famosos, como o piloto do Blodia, Jin Saotome e a Rainha Devilot.

Nessa mesma época, a Saban, em conjunto com a Marvel, faturava alto com o desenho animado dos "X-Men" no mundo todo. O desenho acabou indo para o Japão, onde ganhou cenas de abertura mais dramáticas e fez sucesso. (abertura 1 e abertura 2)

Então a Capcom resolveu aproveitar essa onda com os mutantes e, num acordo com a Marvel, lançou o game "X-Men Children of the Atom". O jogo trouxe o estilo gráfico de "DarkStalkers", apresentando uma animação interessante, personagens enormes na tela e uma jogabilidade rápida, com combos dinâmicos e jogabilidade bem detalhada.

Como esse novo estilo "anime" estava dando certo, a Capcom resolveu lançar um Street Fighter que contasse melhor os detalhes ocorridos entre o primeiro e o segundo game da série, lançando então "Street Fighter Zero" (Japão e Brasil) ou "Street Fighter Alpha" (EUA).

O jogo teve personagens pouco conhecidos de "SFI", como Birdie e Adon, mesclou personagens do beat n'up "Final Fight", como Guy e Sodom, além de trazer versões mais jovens de Ryu, Ken e Chun-li. Esta série "Zero" teve um storyline mais detalhado e originou três continuações: "Zero 2", "Zero 2 Alpha" e "Zero 3" (para esse último existem os updates "Upper" "Double Upper" e "Max"). Foi muito bem aceito tanto pelos gamers como pela crítica e manteve o legado de "Street Fighter".

Em 1996, a Capcom veio com "Marvel Super Heroes", que trazia não só os mutantes da Marvel mas também seus outros heróis, como Capitão América ("Star&Stripes!"), Homem de Ferro ("Superior Tactics!"), Homem Aranha ("Do your job!"). A jogabilidade melhorou muito, agora era possível fazer os chain-combos no chão, arremessar o adversário no ar e iniciar outro chain. Também tornou-se possível usar os poderes das pedras do infinito dando mais poderes ao seu herói favorito. Pena que ao chegar em Thanos ele as roubava de volta.

Capcom e Marvel estavam indo bem com suas franquias, mas o que fazer para aumentar ainda mais seu sucesso? Que tal juntar as duas em um único game?

Foi com essa ideia que surgiu "X-Men VS. Street Fighter". Parecia loucura. Na época, muitos torceram o nariz achando que os universos não combinariam. Como Ryu com seus pequenos Hadoukens iria vencer Ciclope com suas imensas rajadas óticas? Os saltos duplos de Chun-li seriam suficientes para escapar das tempestades da... Tempestade? Os Sonic Booms do Super Combo de Charlie seriam suficientes para anular o Arctic Attack do Homem de Gelo?

A resposta era: provavelmente não. Os mutantes levavam muita vantagem em cima dos Street Fighters. O que a Capcom fez então? Ela injetou altas doses de "poder de luta de desenhos japoneses" em seus personagens.

O Super Combo "Shinkuu Hadouken" de Ryu, de uma bola de energia concentrada, virou um enorme raio laser que atravessava a tela, bem ao estilo "Kamehameha" do anime "Dragon Ball Z". O "Kikoushou" de Chun-li virou uma redoma energética e o "Shinryuken" de Ken levantava um pilar de fogo ao ser acionado.

A galera nos fliperamas foi à loucura ao ver essas inovações. Charlie passou a soltar uma chuva de "Sonic Booms" em seu "Super Combo". Aliás, devido ao upgrade sofrido, eles passaram a ser chamados de "Hyper Combos".

Infelizmente, Charlie não pôde competir com o Homem de Gelo, pois este não estava no jogo. Mas a escolha do cast foi muito elogiada. A Capcom pegou os mais clássicos personagens de "SFII", trocando Guile por Charlie, pois Guile ainda não tinha sprites no estilo "Zero/Alpha". Trouxe também Cammy, agora redesenhada, mostrando a fase da sua vida em que ela era apenas um soldado com a mente controlada por M. Bison, sendo a líder das Shadaloo Dolls (não, não eram um grupo musical pop do Bison...).

Do lado da Marvel, a Capcom tirou os personagens menos conhecidos de "X-Men:CotA", como Silver Samurai e Spiral, e colocou os mais famosos do desenho animado, como Gambit, Vampira e Dentes-de-Sabre (faltou a Jubileu, mas fazer o que, não?).

No final, ficaram Ryu, Ken, Akuma, "Chunli SF2" e "Chunli Alpha", Charlie Cammy, M. Bison, Zangief e Dhalsim do lado da Capcom. Os mutantes da Marvel eram: Ciclope, Wolverine, Tempestade, Dentes-de-Sabre, Gambit, Vampira, Magneto, Fanático e, como vilão final, Apocalipse ("My House & Apartaments!", ok, ele não fala isso no início da luta, mas parece!).

Uma grande novidade foi poder escolher uma dupla de personagens e alterná-los durante a luta. Também era possível fazer com que os dois usassem seus "Hyper Combos" ao mesmo tempo, causando um grande estrago na vida do adversário. Além disto, as lutas tinham apenas um Round, perdia aquele que tivesse seus dois personagens nocauteados. Na penúltima luta, a dupla enfrentava Apocalipse na sua forma gigante, em que apenas metade de seu corpo cabia na tela. Você permanecia com o personagem com o qual derrotou Apocalipse e enfrentava seu parceiro na última luta para restar apenas um vencedor. Era uma mudança e tanto para os padrões de "avanço de estágios" na época. Na parte sonora, muitas músicas foram levemente modificadas de "XCotA" e para os "Street Fighters" foram feitos remixes com estilo "techno" de seus temas clássicos, combinando com o universo explosivo do game.

O jogo fez sua fama no Arcade, tornando o que parecia impossível de dar certo num game que é lembrado até hoje por sua ousadia. Mas, como se tratava de um jogo novo, alguns erros acabaram passando. Faltava dar uma balanceada melhor nos golpes. Os agarrões tiravam muito dano, chegando a uns 35% da barra de vida se o adversário estivesse morrendo. Combos infinitos eram frequentes também. Não era exatamente um erro, mas, quando você derrotava o primeiro adversário, era engraçado ver ele petecando e rachando o chão até sair da tela. 

"XvsSF" ganhou duas conversões, uma delas foi para o Sega Saturn japonês. Como tinha uma quantidade enorme de frames para serem guardados na memória RAM do console, o jogo vinha com um cartucho de expansão de 4mb. Isso garantiu uma conversão fiel do Arcade para o console da Sega e a quase anulação dos loading times.



Mais tarde veio a versão de PSONE. Infelizmente, como o console não tinha opção de expansão de memória RAM, foi removida a opção de se trocar de personagens durante a luta, dividindo as lutas em Rounds. Isso tirou um pouco da graça do jogo, mesmo com um código que ativava a troca de personagem no modo Versus, quando os jogadores pegavam a mesma dupla mas com ordem invertida (o código era o mesmo comando para a "tela branca do Akuma"). Essa versão sofreu com slowdowns frequentes e a remoção de muitos frames para se adequar ao console, por isso acabou sendo chamada de "EX Edition".

Trivia: Quando o jogo foi emulado nos PCs, através de códigos, foi possível ver que Apocalypse teria mais ataques com seu braço. Um deles mostra uma pinça no qual ele poderia agarrar o personagem. Também existia o sprite mostrando seu punho destruído, provavelmente a Capcom planejava dar barras de vida separadas para a cabeça e para o braço. Devem ter desistido ao pensarem que ficaria esquisito se o jogador destruísse primeiro a cabeça e ficasse só o resto do corpo atacando... Um erro engraçado acontecia quando você enfrentava o M. Bison controlado pela máquina. Se você ficasse muito tempo agachado, ele acabava travando nessa posição, após fazer uma "tesoura aérea". Aí, era só dar golpes no ar para encher sua barra de "Hyper", e descer a lenha!

Nesse crossover entre as séries, Capitão América, Hulk, Homem Aranha, apesar de se acharem machões, ficaram chupando o dedo. Mas não foi por muito tempo. Em 1997, a Capcom lançou "Marvel Super Heroes VS Street Fighter".

Na continuação, alguns erros foram sanados. Os combos infinitos diminuíram e os agarrões tiravam bem menos. Agora era a vez de os demais heróis da Marvel enfrentarem os Street Fighters, mas na hora de escolher o elenco a Capcom não foi muito feliz.

Muita gente esperava jogar com o Homem de Ferro e ele não foi escolhido para o jogo! No lugar dele, mantiveram Ciclope, que nem estava no "Marvel Super Heroes" original. O Homem Aranha voltou mais equilibrado e com golpes novos. Capitão América sofreu uma turbinada com novos golpes e uma aura de energia em volta de seu escudo quando executava golpes especiais, e Hulk agora enterrava um meteoro flamejante em seu "Gamma Crush". Por algum motivo, não colocaram outros personagens de "MSH", mas trouxeram Omega Red de "XCotA". Gambit era um dos personagens mais famosos do jogo anterior e foi deixado de lado.

Entre os Street Fighters, Ryu e Ken ganharam seus Super Arts de "Street Fighter III", respectivamente "Shin-Shoryuken" e "Shinpuu JinraiKyaku". Agora Ken se tornou ainda mais diferente em relação ao Ryu. Seu Hadouken não vai até o fim da tela, sua giratória sobe na diagonal e seu Shoryuken recebeu uma nova animação de fogo. Chun-li passou a ter golpes de comando (e não de carregamento), tornando-se muito mais ágil. Sakura e Dan vieram da série "Zero". Sakura está completamente diferente. Seu Shoryuken cria um escudo que a protege de projéteis e seu hadouken está imenso, mas sai somente para a diagonal superior e tem o alcance muito limitado.

Como todos ganharam poderes para se equipararem aos personagens do universo Marvel, Dan também sofreu alteração. A diferença é que ele ficou MAIS FRACO!

Ele sempre foi o bobo da corte nos jogos de luta, desta vez não foi diferente. Ao invés de turbinarem sua força, turbinaram suas bobagens. Normalmente o Gadouken de Dan, que não tinha um alcance maior do que três palmos de sua mão, diminuiu de tamanho! Seus combos são lentos e seus chain-combos não mesclam socos e chutes. Deram para Dan um ataque em que ele autografa uma foto e arremessa, lentamente... totalmente inútil.

Ele tem um Hyper Combo secreto que gasta três barras de Super em que ele agarra o adversário e os dois explodem juntos. Ele consegue tirar 75% da barra de vida. Isso seria bem útil se esses 75% de vida não fossem de sua PRÓPRIA VIDA!... É sério, o inimigo toma cerca de 15% de dano, enquanto o Dan vai pro saco (mas ele nunca chega a morrer, ficando no máximo com um "risquinho" na barra de vida).

A Capcom aparentemente não fez uma pesquisa antes de selecionar os personagens. Muitos personagens queridos pelo público simplesmente não apareceram e alguns que não tinham muito a ver com o jogo estavam presentes. Existia também o problema de ter muitos personagens com estilo "Ryu", ou seja, aqueles que têm hadouken, shoryuken e giratória. Só deste tipo tínhamos Ryu, Ken, Dan, Akuma, Sakura, Dark Sakura e Cyber Akuma! (Isso é um trava-língua, senhora Capcom!)

Times: Ryu, Ken, Chun-li, Dan, Zangief, Dhalsim,  Akuma, M. Bison e Sakura da Capcom e Ciclope, Homem Aranha, Capitão América, Shuma Gorath, Wolverine, Hulk, Black Heart e Ômega Vermelho.

Apocalipse voltou mais fraco, como subchefe, para dar lugar ao novo Chefão Final, Cyber Akuma. Nunca Akuma tinha sido tão apelão. Ele tem a maior magia e o maior dano do jogo. Seu Hyper Combo Secreto "Shun Goku Satsu" é muito mais rápido e faz mais estrago. Pena ele não ter aparecido em mais nenhum outro jogo, era gratificante vencê-lo, mas isso era para poucos, afinal, sua resistência era dobrada também (80% das vezes que ele lança um "braço-míssil", ele teleporta bem na sua frente, aproveite para dar-lhe um combo que ele nunca vai esquecer na vida!).

Tivemos a estreia dos personagens secretos feitos com pallet swap. É o caso de Shadow, que nada mais é do que o Charlie pintado de preto (estilo Noob Saibot). Na história não canônica ao universo de Street Fighter, Charlie foi pego por M. Bison e transformado num ciborgue. Ele ficou mais forte, mas para compensar seus Hyper Combos atrasam muito quando são executados. Temos também o Homem Aranha com Armadura Cinza, Hulk Laranja, Dark Sakura, com golpes parecidos com a Sakura original de "SFZero2", com acréscimo do Shun Goku Satsu, Mephisto, pai de Black Hearth (o jogo tem sprites de seu filho, mas com outra cor). Temos ainda o Agente Americano, que também é Capitão América com outra cor, e Mega Zangief, um Zangief de metal que não sofre recuo ao tomar danos, mas também não pode defender.

A trilha sonora foi reformulada. Já ouvi muita gente reclamando pois essa trilha não era composta de remixes como a anterior. Sinceramente, não considero isso um ponto fraco. "X-Men VS Street Fighter" nos fez jogar até cair os dedos. Sua trilha sonora composta de remixes era legal, mas, por se tratarem de melodias antigas, já tinha cansado um pouco. Foi bom eles criarem novos temas em "Marvel Super Heroes VS Street Fighter" para dar uma renovada nos ares do jogo, já que no fim das contas este é como se fosse uma atualização do jogo anterior. Um ponto legal é que esta trilha nova foi feita com base na antiga; as músicas, mesmo diferentes, mantinham o espírito das originais e combinam bem com o personagem...

A música de Zangief é um bom exemplo, você enxerga a Rússia quando a escuta!

Conversões para consoles foram feitas um ano depois. A versão para Sega Saturn mais uma vez saiu na frente por causa do cartucho de expansão, sendo completamente fiel ao Arcade (claro, tirando a barra de vida, que tinha as fotos embaixo dela porque a resolução do Saturn é bem diferente da CPS-2; isso ocorre em todos os jogos de luta da Capcom convertidos para ele).

Na versão de PSONE, uma grata surpresa: a conversão ficou melhor do que a de "X-men VS Street Fighter". Na época, a Sony liberou um novo kit de programação mais simples que facilitou a vida da Capcom. Eles também deram um jeito para economizar RAM, diminuindo a dimensão de alguns sprites como magias e sparks, mas apresentando-os na tela com Zoom para que ficassem do tamanho correto. Isso deixou alguns gráficos mais pixelizados, mas garantiu mais sprites na tela. Outra saída de mestre foi deixar alguns efeitos sonoros com qualidade menor. Com isso o jogo rodou mais rápido e os slowdowns foram para o espaço. Não foi suficiente para colocar 4 personagens diferentes nas lutas, mas deixou o jogo muito mais liso e, a não ser para os detalhistas, as modificações que eu citei nem são tão perceptíveis. Há um modo em que você enfrenta o computador com duplas invertidas, com quatro personagens durante a luta, coisa que não era possível no jogo anterior.   

Trivia: Na versão japonesa do jogo existe um personagem chamado Norimaro. Ele é uma sátira de um dos funcionários da Capcom. Como muita gente não iria entender a piada no Ocidente, ele foi retirado do jogo. Também ele não é um personagem muito bom. Ele dá cabeçadas, anda esquisito, tem uma verruga no nariz e em seu Hyper Combo ele arremessa várias tranqueiras de sua pochete, como esquadros, compassos, estátuas do Akuma e bonecos do Mega Man. Ele está nas conversões japonesas para os consoles também.  Ao vencer Apocalipse desta vez ele grita igual ao Black Heart, mas somente no Arcade. Nas conversões a voz continua a de "XvsSF"... Por que mudaram sua voz? Não faço ideia...

Primeiramente os Street Fighters enfrentaram os X-Men e, depois, passaram a enfrentar os heróis do Universo Marvel, expandindo as opções. O que fazer para continuar expandindo a série? Era só trazer o Universo Capcom também! Com essa ideia em mente, em 1998 a Capcom nos presenteou com "Marvel VS. Capcom: Clash of Super Heroes"

O jogo teve menos personagens que seu antecessor, mas a maioria deles são totalmente novos. Do lado da Capcom temos Ryu, Chun-li, Zangief, Mega Man, Capitão Commando, Strider Hiryu, Jin (do jogo de luta de robôs gigantes "Cyberbots"), Morrigan Aensland e Roll. No caso, Roll era personagem secreta, mas também é a única entre os secretos que tem sprites próprios, os outros são apenas "color swap".

Da Marvel tivemos Wolverine, Homem Aranha, Hulk, Capitão América, e a volta triunfal de Remy Lebeau, mais conhecido como Gambit, que ganhou um novo "Super Move" e ficou um pouco mais fraco para se equiparar aos demais.

Outro personagem "novo" é War Machine. Eu digo "novo" porque ele é apenas um "pallet swap" do Iron Man. Todos ficaram fulos da vida quando não viram o Homem de Ferro em "MSHvsSF". A CAPCOM viu a mancada que deu e resolveu atender ao pedido dos gamers, só que parece que ela não estava querendo dar a cara a tapa, então pintaram ele de azul e mudaram o nome. No fim, War Machine lança raios dos ombros tanto em pé como agachado e tem um novo "Super Move" com o qual ele lança mísseis teleguiados.

Desta vez os personagens secretos eram: Gold War Machine - uma versão que disparava projéteis ao invés de laser de War Machine, tem a defesa mais alta mas é mais lento; Quick Venom - este era um Venom muito mais rápido, que tira pouco dano, embora possa fazer mais combos e tem baixa defesa; Hulk Laranja - versão acelerada de Hulk sem Super Armor; Lilith - na verdade é Morrigan com os poderes da Lilith, como se ela estivesse sendo controlada pela irmã; Shadow Lady - é a versão Shadow de Chun-li que também foi robotizada por M. Bison (ao contrário de Shadow, Shadow Lady tem golpes próprios, com a mão furadeira e o Raio Laser); Roll: como dito anteriormente, é a única que tem sprites próprios. Ela é um pouco lenta e seus golpes não tiram muito. Possui golpes e Hyper Combos parecidos com os de Mega Man. Alguns outros ex-personagens secretos, como Mega Zangief, viraram transformação para o personagem, podendo ser feito durante a luta.

Agora os Special Partners são outros personagens específicos para isso e você não pode usá-los normalmente na luta. Assim você tinha três pessoas no time. Os Special Partners variam de heróis famosos a personagens quase desconhecidos, como Unknown Soldier (desculpe o trocadilho!). Ciclope foi rebaixado a "partner", acho que a Capcom percebeu que estávamos cansados dele.

Os Special Partners eram: Unknown Soldier, Lou, Saki Omokane, Pure & Fur, Psylocke, Michelle Heart, IceMan, Arthur, Ton Pooh, Juggernaut, Devilot, Thor, Magneto, U.S. Agent, Cyclops, Storm, Colossus, Anita, Jubilee e Rogue. Shadow e Sentinela eram secretos. Sua escolha era aleatória mas através de códigos podia-se escolher um deles, incluindo os secretos.

As músicas voltaram a ser remixes, talvez para contrastar com o último game, mas possuíam arranjos diferentes em relação ao "XvsSF". Como havia muita gente a nova trilha não ficou repetitiva.

Para reduzir o grande número de lutadores de caratê com Hadouken e Shoryuken, a Capcom teve uma ideia inovadora: fez o Ryu poder se transformar em Ken ou Akuma. Ao executar um comando específico, a roupa de Ryu mudava para a cor vermelha e ele podia soltar Shoryukens de fogo, Hadoukens de alcance limitado e giratória ascendente, igual ao Ken. Com outro botão o mesmo acontecia, só que ele ganhava os golpes de Akuma, assim como seu Hyper Combo Secreto. Isso resolveu o problema, mas muita gente reclamou com a falta de Ken no jogo (eu achava isso apenas frescura...).

Os cenários eram todos novos, baseados nos de ambas as empresas, Marvel e Capcom. Alguns eram bem inspirados, como o cenário do Megaman... Outros não diziam muita coisa, como o cenário da montanha.

O novo chefão da vez era Onslaught (Massacre aqui no Brasil), que nasceu da mistura das mentes de Magneto e do Professor Xavier. Ele possuía duas formas, sendo que na segunda ele ficava gigante, assim como era o Apocalipse.

O jogo agora permitia usar todo o estoque da barra de especial para chamar seus dois lutadores ao mesmo tempo na batalha durante alguns segundos. Era ótimo para poder disparar Hyper Combos, pois durante esse tempo esses poderes eram ilimitados. A jogabilidade foi mais uma vez refinada e poucos bugs restaram.

Desta vez não houve versão para Sega Saturn. Nessa época ele já estava morto e enterrado. A conversão de Psone saiu também com a alcunha de EX e manteve o nível do jogo anterior. Desta vez a falta de quadros da animação foi ainda maior, mesmo usando sprites menores com efeitos de zoom. As lutas continuaram sendo um contra um. A grande diferença, criada para mascarar a falta de RAM do console, foi poder escolher entre um partner que te auxiliava com especiais e Counters ou um Special Partner de uso ilimitado que surge na tela, dá um ataque e vai embora. As lutas com duplas outra vez só aconteciam quando o adversário tinha a mesma dupla que a sua, mas com ordem inversa. Tornou-se possível jogar com Onslaught e, ao terminar com Mega Man, você absorvia o ataque Magnetic Shockwave do vilão e podia usá-lo com o robô nas outras lutas.

A série estava tomando um novo rumo. No primeiro Crossover, mesmo com Ryu e companhia usando raios e bolas gigantescas de energia, ainda era puxado para um lado mais sério em que duas franquias se enfrentavam. Agora o jogo tinha tanta gente misturada de tantos gêneros diferentes que, por mais que o jogo fosse divertido, ainda parecia uma salada de gente!

A Capcom então resolveu usar o poder da nova placa de fliperama Naomi e extrapolar de vez criando "Marvel vs. Capcom 2: The New Age of Heroes".

O jogo tem nada mais nada menos do que 56 personagens jogáveis. Todos os que já apareceram na série versus mais ainda todos os personagens da Marvel que a Capcom já havia criado. Além também dos novos, como Medula, Cable, Amingo, Son Son e Ruby Heart.

Agora as lutas eram de 3 contra 3, todos podendo ser Special Partners e usar os 3 Super Moves ao mesmo tempo. Também podia emendar um Super Move no outro, mas trocando de personagens entre eles.

A trilha sonora sofreu uma mudada drástica. Devido ao alto número de personagens, as músicas se tornaram genéricas, uma para cada estágio. Todas seguiam um estilo jazz dançante. Infelizmente, elas eram repetitivas demais e acabaram tirando um pouco a graça do jogo; destaque negativo para a música da tela de seleção de personagens. Na versão de relançamento do jogo para PS3 e Xbox 360, foi cogitada a possibilidade de mudar a trilha do jogo, como muitos jogos em DLC permitem, mas infelizmente ficou só na promessa, o jogo veio e nada de alteração de trilha!

Em "SFII" tínhamos 99 segundos para vencer os rounds, quase não dava "Time Over", já que o combo "voadora, soco e magia" tirava uns 70% da barra de vida. Em "X-men VS. Street Fighter" você tinha o dobro de vida por ter 2 personagens para cada jogador, mesmo assim dava para acabar as lutas normalmente, mesmo demorando mais. Em "MvsC2" eram TRÊS personagens para apenas 99 segundos. É como se fossem 3 Rounds de "SF2" dentro de um. Nunca dava tempo de acabar as lutas no modo versus e você era obrigado a colocar o tempo no infinito nas opções do game. Deveria pelo menos haver a possibilidade de deixar o relógio mais lento.

Como a luta tinha mais personagens, tudo ficou muito mais dinâmico, às vezes você até se perde na tela com todos aqueles sparks, raios e magias voando para todo lado. O número de personagens que disparam laser pela tela aumentou também, com destaque para Cable que se tornou o mais apelão de todos. Ciclope, com a sua fama em decadência voltou ao jogo mas ficou mais fraco, seus raios óticos acertam somente o primeiro que tocar, deixando os alvos inimigos de trás livres para contra-atacar.

Os combos individuais foram deixados um pouco de lado para dar espaço à interação dos times. O jogo continuava a ter 6 botões, mas agora apenas 4 eram de ataque os outros dois serviam como Special Partners e o Super Move com 3 personagens. Então, para desferir um soco médio você tinha que apertar soco fraco duas vezes, já fazendo um chain combo. Isso quase resolveu o problema da troca de botões, mas tirou a autonomia de usar os golpes médios, principalmente se eles serviam como antiaéreo.

A história do jogo falava de um grande ser maligno, Abyss, que pretende dominar o mundo! E a pirata Ruby Heart está reunindo guerreiros para derrotá-lo. Então surgem heróis e vilões do mundo todo que unem forças para derrotar um mal maior. Assim, eles vão encontrar Abyss e o derrotam! Originalidade zero, mas não dá para criar algo muito coeso num mundo onde existem Tron Bonne, Anakaris e o Fanático.

Muitas conversões foram feitas para vários consoles. A primeira foi para Dreamcast, que na verdade era a mesma engine da placa Naomi, então foi um verdadeiro "copy-paste". O jogo ficou perfeito e tinha ainda mais personagens do que no fliperama.

A versão de Xbox ficou parecida mas teve alguns problemas de queda de frame rate. A versão de PS2 ficou sofrível. Mesmo sendo um console mais novo do que o Dreamcast, havia muitos slowdowns, faltavam quadros de animação, o loading era demorado e não havia anti-aliasing, o que deixou os personagens pontilhados. Na versão arcade eles pareciam melhorados por causa desse filtro que tornava os personagens mais arredondados, mesmo que ficassem um pouco borrados.

Nas atuais versões de PS3 e Xbox 360 foi reincluído o modo de partidas on-line, que já havia no Dreamcast, todos os personagens já vinham habilitados. Também adicionaram dois filtros, um de blur que deixava parecido com a versão de Arcade e Dreamcast, e o outro com efeito Eagle, que emenda os pixels, deixando tudo mais arredondado sem parecer que está manchado. A tela teve um resize também para comportar o modo Wide Screen, mas sem dar Crop horizontal. Mesmo assim, nesse modo os personagens não se afastam totalmente, mantendo-se em paredes invisíveis, para não destoar da real distância que eles podiam se afastar no fliperama.

Agora, dez anos depois, a Capcom se lembrou de seus Fighting Games graças ao "Street Fighter 4" lançado no ano passado. Com o sucesso de seu novo jogo, a continuação "Super Street Fighter 4" sai agora no fim de abril, por um preço mais baixo, por ser somente uma atualização, e já indica que terá boas vendas.

Também tivemos boas vendas on-line nos jogos "Super Street Fighter 2 Turbo HD Remix" e "Marvel VS Capcom 2".

Sendo assim, a Capcom viu que a febre dos jogos de luta está voltando. Até sua concorrente está prometendo bastante com seu "The King of Fighter XIII", mesmo o "XII" tendo sido um tiro no pé...

Sobre "Tatsunoko vs. Capcom", em breve teremos um review do jogo e comparações com "Marvel vs. Capcom 3".

BETA
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Último está em cima - alterar?
O que já falaram
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ultimatedragonlg em 28/02/2011 19:57
Evolução demorada! Olha que ainda tem mais!
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Renato12 em 27/02/2011 11:23
Desculpa Ter Mandado Tantos Comentarios,Foi Sem Querer,Eu Me Atrapalhei.
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Renato12 em 27/02/2011 11:19
Pessoal Se Vocês Repararem Bem No Primeiro Nome Esta Escrito Killer Bee,E Ele E Do Naruto.
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Renato12 em 27/02/2011 11:15
Cara Que Matéria Grande e Boa.
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GamerThuane em 21/02/2011 13:21
Que briga né?
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weslley em 12/02/2011 13:14
É
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MrGame em 11/02/2011 14:22
O jeito é esperar.
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sergio sampa em 11/02/2011 14:10
Hahaha... Sem problemas.
Valeu!
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Édi_rpg em 11/02/2011 14:02
Hahahahahahhah.
Desculpa é o vício.
Mais é a melhor.
Desculpa foi no grito.
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sergio sampa em 11/02/2011 13:47
"Trigger", heheheh...
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Édi_rpg em 11/02/2011 13:44
Li toda à matéria e cheguei a uma conclusão depois da análise de Chrono Cross, esta é a melhor, sem sombra de dúvida.
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weslley em 11/02/2011 11:50
Nossa isso e que é uma materia parabens que fes ela esta muito bem feita!
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Ficha técnica
Gênero:
Luta
Lançamento:
15/02/2011
Desenvolvedor:
Capcom
Distribuidor:
Capcom
Plataforma(s):
PS3360
O melhor de dois mundos: essa é a série Marvel vs. Capcom, que reúne os personagens mais conhecidos destas duas franquias em combates pra lá de explosivos.
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