Enviado 6 meses atrás por ghost3 - 0 comentário(s)
A idéia de transformar Speed Racer, clássico dos anos 70, num
campeonato de carros que lutam Kung-Fu e correm em pistas futuristas a
mais de 300 kilômetros por hora só poderia ter saído das mentes
criativas dos irmãos Wachowsky, os mesmos da trilogia Matrix. Mas mais
impressionante que isso é pensar que, contrariando toda a lógica, o
game que acompanha esse novo game é verdadeiramente divertido.
Speed Racer: The Videogame foi produzido pela Sidhe Interactive,
mesma do competente GripShift, e reproduz no mundo dos games a nova
aventura de Speed, Trixie do Corredor X, e das pistas que desafiam a
gravidade e a resistência dos seus olhos num bombardeio de cores e
luzes. A proposta é simples: a bordo do Mach 6 e de dezenas de outros
carros, o objetivo é chegar em primeiro em pistas longas, geralmente
com apenas duas voltas, e sobreviver às investidas dos adversários. E
para isso vale não só apenas descer o pé no pedal, mas também usar o
melhor das artes marciais sobre quatro rodas.
Uma reação comum das pessoas ao assistir algumas cenas do filme é
pensar ?Ei, isso parece F-Zero!? ? e felizmente isso vale também para a
sua versão jogável. Não é exagero dizer que, na falta de uma nova
versão da famosa série de corrida da Nintendo, Speed Racer é um
substituto competente e divertido apesar de seus defeitos. Os cenários
coloridos, o design sinuoso das pistas, e uma sensação às vezes
desnorteante de velocidade remetem diretamente ao torneio de Captain
Falcon. Isso, aliás, ajuda bastante a tornar os controles, feitos pelo
sensor de movimento do controle remoto, muito mais gerenciáveis: a
ausência de curvas bruscas ?esconde? a falta de precisão dos sensores e
torna a jogabilidade muito mais natural e imersiva do que em similares
como Excite Truck.
Mas o verdadeiro campeão nessa corrida surreal é o sistema de
Car-Fu, uma verdadeira luta sobre rodas que funciona perfeitamente com
os sensores do Já no WiiPlaystation 2 o jogo parece buornoult revenge. Segurando o controle remoto na horizontal, uma
sacudida brusca para os lados fará com que o seu possante se arremesse
na lateral e mande quem estiver por perto beijar o guardrail. Já uma
puxada rápida para cima faz o carro saltar para frente... e pobre de
quem estiver em baixo quando você aterrisar. O melhor de tudo? Ser um
motorista radical rende pontos adicionais no final da corrida e aumenta
a sua barra de turbo, imprescindível para chegar no topo do pódio e
atropelar mais alguns competidores pelo caminho. Só não se esqueça que
você também é um alvo.
Infelizmente, alguns problemas de mecânica impedem Speed Racer de
chegar na ponta entre os games de corrida futurista. O mais gritante
dele é a famosa ?síndrome de Mario Kart?: não importa o quanto na
frente você esteja, do nada um pelotão de corredores vai aparecer, te
atropelar e ultrapassar sem dó ? isso é quase certeza. Some-se isso ao
fato de que os confrontos com outros carros farão você rodar às vezes,
e o máximo que se tem a fazer é sentar e esperar a boa vontade do jogo
de colocar você de volta no caminho certo, e você tem algumas situações
bem frustrantes, onde um só momento pode estragar o esforço de uma
corrida inteira. O jogo tenta resolver esse problema incluindo um
sistema de parcerias, no qual é possível ter um aliado sempre a postos
na pista... mas geralmente eles servem mais para ficar plantados na sua
frente do que ajudar em alguma coisa.
Essa dificuldade desbalanceada parece ter sido feita para compensar
outra falha do jogo: a falta de conteúdo. Existem três categorias de
corridas, cada uma com copas de no máximo cinco circuitos com vários
deles repetidos no processo. Ainda existe um modo multiplayer para dois
jogadores com a tela dividida ao meio, mas quem já estiver cansado com
a campanha principal não vai encontrar muito alívio aqui.
Mesmo com essas falhas, Speed Racer: The Videogame ainda consegue
um terceiro ou quarto lugar ? o que é ótimo, ainda mais com a falta de
bons representantes do gênero de corrida no Wii e no PS2. Não dá para acelerar
muito, mas pelo menos para uma brincadeira vale.