Enviado por leandro em 17/10/2007 às 15:51 (10 meses atrás)
Categoria: Reviews > Xbox 360 > Crackdown
A violência sobrenatural de David Jones
Os
adoradores da série Grand Theft Auto (GTA) e seus críticos ferozes têm
mais um motivo para enlouquecer com as idéias do criador David Jones:
Crackdown, título de ação e tiro da Microsoft Game Studios e Realtime
Worlds, exclusivo do console Xbox 360, que recebeu o selo "M" (Mature)
da organização norte-americana ESRB (Entertainment Software Rating
Board) e foi alvo de censura na Alemanha. Muito além da mera violência,
Crackdown propõe uma experiência inovadora em termos de "jogabilidade",
já que, influenciado pelo clima futurista, convida os usuários a
manipular comandos como saltar, escalar e pilotar. Protagonizado por um
agente sobrenatural da organização secreta "The Agency", o título é
ambientado na violentíssima "Pacific City", cidade ocupada e comandada
pelo crime organizado.
No melhor estilo "sandbox" (termo usado
para definir games baseados na livre e intensa exploração dos
cenários), Crackdown apresenta diversos elementos inspirados nas
histórias em quadrinhos, como por exemplo o visual cel-shading
norte-americano, os personagens estereotipados e a ação ininterrupta.
Basicamente, a história do game é fundamentada na guerra entre o
protagonista (elevado à categoria de super-herói) e as facções "Los
Muertos" (latinos), "Volk" (russos) e "Shai-Gen" (chineses), cada grupo
controlando uma ilha na cidade.
Fórmulas mirabolantes à parte, o
agente sobrenatural inicia sua carreira de forma humilde, medíocre, com
apenas alguns pequenos poderes, poucas armas e habilidades comuns.
Acontece que David Jones, com seu toque de mestre, elevou Crackdown ao
estado de êxtase. Para se ter uma idéia, o personagem principal é um
ser beneficiado pelas conquistas no ramo da genética e da clonagem.
Isso significa que a polícia encontrou o soldado perfeito e que a
solução para os crimes em Pacific City depende de um homem cuja força
vale por um exército. Para quem gosta de evoluir personagens, assim
como nos RPGs, Crackdown oferece diversos graus de habilidades e tipos
de itens que podem ser adquiridos ao longo das partidas.
A grande sacada do título, motor da diversão, é a liberdade para explorar
à vontade os imensos cenários, construídos com uma profundidade de
campo de dar inveja. Como existem muitos itens para coletar ao longo
das ruas, a boa definição dos ambientes é crucial. Não fosse pelo bom
planejamento dos mapas, seria praticamente impossível visualizar algum
objeto perdido no meio da confusão. Apesar de as missões fornecerem
diretrizes bem definidas, é interessante destinar parte da atenção aos
"orbs", objetos coloridos que aprimoram as habilidades do agente e que,
quando capturados com competência, revelam-se mais valiosos do que
qualquer arma de fogo.
Os efeitos visuais, perceptíveis na
transição entre o dia e a noite, nas texturas, nas explosões, nos tiros
e objetos, alcançam o clímax quando o protagonista conclui a maior
parte das etapas de evolução e transforma-se no verdadeiro agente
sobrenatural, capaz de chutar carros, caminhões, destruir grupos
inteiros de inimigos, disparar armas de fogo devastadoras e ignorar
quedas, barreiras e distâncias. Em termos sonoros, a dublagem dos
indivíduos enquadra-se perfeitamente no campo das histórias em
quadrinhos e a variedade de canções enriquece o humor dos desenhos. No
decorrer de mais de 10 horas de jogo, a diversão só termina quando
Pacific City mostra-se muito pequena para o incrível policial.
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