Enviado por orbs em 31/01/2008 às 10:32 (8 meses atrás)
Categoria: Reviews > Xbox 360 > Ninety-Nine Nights
Anunciado pela primeira vez em 2005, Ninety-Nine Nights - ou simplesmente N3 - parecia ser um jogo de muita técnica e combos. Talvez naquela época até tenhamos nos impressionado com os gráficos e hordas de inimigos na tela, mas com o passar do tempo N3 tornou-se um dos mais fracos jogos de ação do console da Microsoft.
Antes da matança em série
A música que toca no Menu Principal é uma bela composição épica. Lá você encontrará a Biblioteca, um espaço para ver o perfil dos personagens, seu desempenho detalhado em cada missão e uma variedade de ilustrações artísticas relacionadas ao jogo.
No N3 você pode controlar até sete personagens diferentes; porém, no começo do jogo somente a Inphyy está liberada - uma linda garota com asas de anjo, membro dos Cavaleiros do Templo e que brande a enorme espada rubi.
No momento de iniciar uma nova missão, o jogador precisa selecionar unidades de guarda que serão utilizadas no determinado mapa. Existem quatro tipos de guardas: Infantaria, Infantaria pesada, Piqueiros ou Arqueiros.
Por motivos misteriosos que nunca saberemos, o jogo conta com uma opção paralela de Tutorial totalmente dispensável.
Esmague os botões antes que eles esmaguem seu dedo
O jogo se resume a: correr até um determinado ponto no mapa (sempre sinalizado em vermelho), avistar um formigueiro de inimigos se aproximando em alta velocidade no estilo épico de O Senhor dos Anéis e... esmagar os botões. Simples assim.
Não que o problema seja apertar botões sem parar e sem precisar usar 30% de raciocínio, afinal existem bons jogos nesse estilo, mas N3 consegue ser incrivelmente irritante e repetitivo. O game não traz imersão nenhuma, basta se enfiar no meio de um bando de inimigos que são todos idênticos e alternar entre o X e o Y até, finalmente, perceber que seus dedos estão doendo e é hora de desligar o console.
Na verdade um só botão bastava para Ninety-Nine. Você aperta os outros porque seu subconsciente suplica por variedade.
3.000 Kills
Já imaginou matar três mil guerreiros em uma única fase? Provavelmente você nunca fez isso, mas em N3 poderá conseguir tal façanha. É muito legal, utilizando uma espada enorme, derrubar grupos repletos de Orcs, Goblins, Elfos das Trevas e outros; logo você se acostumará com o ritmo e vai desejar que venham sempre mais e mais e mais - e, acredite, eles virão.
O que não é legal é derrotá-los sempre do mesmo jeito - e isso é o que faz N3 escorregar mesmo no seu ponto mais divertido. Conforme seu personagem vai subindo de level novos combos vão sendo aprendidos, porém, trata-se de uma tarefa demorada e que requer dedicação de jogatina, ou seja, terá que se contentar em fazer sempre a mesma coisa fase após fase até aprender um ou dois combos novos e então repetir tudo outra vez.
Mas isso também não significa que os movimentos executados não são bonitos, na verdade eles enriquecem a tela. Existem ataques verticais, horizontais, de raio de dano ampliado e aéreos.
Ataques especiais
E não podemos esquecer do ataque com Orb - aquelas esferas de energia que geralmente enchem alguma barra especial do seu personagem e estão presentes em muitos jogos como Devil May Cry e God of War.
Ao eliminar inimigos, orbs vermelhos vão surgindo para encher sua barra de Orb Attack. Uma vez cheia, poderá ser ativada com o botão B e então é só pressionar rapidamente os já surrados X ouY para desferir ataques devastadores por um curto período de tempo.
Ao destroçar os inimigos com o Orb Attack, orbs azuis poderão ser coletados para preencher uma outra barra - a Orb Spark - e, pressionando o B, desferir um ataque extremamente poderoso, que pode causar danos mortais em múltiplos inimigos que estiverem ao redor.
Fator idioma e últimas considerações
Cada fase em N3 dura não menos que 15 minutos, porém não há nenhum - nenhum - checkpoint durante o jogo. Ou seja, se você morrer no chefão final daquela fase que lhe custou 30 minutos, terá que refazer tudo desde o início, sem choro nem vela.
Para completar, seu exército não serve para nada. Tudo bem, o jogador pode escolher qual grupo de guerreiros levar para o campo de batalha e dar ordens de avançar ou não, mesmo assim não conte muito com a ajuda deles. Nada contra a Inteligência Artificial, mas seu personagem jogável por si só já faz um tremendo estrago na massa cinzenta de inimigos - enquanto seus fiéis companheiros mataram 10, você já mandou 100 para o chão.
O cenário para percorrer é vasto visualmente e ao mesmo tempo totalmente restrito na prática. Por toda parte há rochas, montanhas e caminhos que você gostaria muito de explorar, mas "paredes invisíveis" o impedem. Inclusive pode ocorrer um bug em que um inimigo, ao ser derrotado, solta um item - por exemplo, uma poção para recuperar HP - e esse item entra num local inacessível, provocando a frustração de seu personagem estar a dois centímetros de distância de um objeto mas não poder coletá-lo por conta de o "espaço real jogável" ter terminado.
Para completar, as falas muito mal dubladas do original japonês para o inglês tiram boa parte do brilho dos vídeos e do desenrolar da história. A bela Inphyy exibe seu corpo com perfeição, mas é só ela começar a falar com voz de criança de oito anos para qualquer gamer desanimar. Essas vozes em inglês, mal selecionadas e com várias falhas de sincronismo labial, só comprometem o carisma dos personagens.
Se você é aficionado por games "esmaga botões", Ninety-Nine Nights, com ótimos efeitos de luz e alguns elementos de RPG, foi feito para você. Não chega a ser o tipo de título em que a recomendação mais prudente seja "fuja enquanto pode", mas certamente seu estilo repetitivo e cansativo agradará a poucos.
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