Quando Project Gotham Racing apareceu pela primeira vez para o Xbox em 2001, rapidamente seu potencial foi reconhecido e, após um segundo game, a franquia se consolidou como a mais importante no gênero corrida arcade para uma plataforma da Microsoft.
O tempo passou, a tecnologia avançou e PGR3 veio à nova geração para brigar contra outro gigante do mercado: Need for Speed. Agora, o quadro não é diferente, e um novo Project Gotham Racing foi lançado com qualidade mais que plausível, como você poderá confirmar abaixo.
Sozinho ou com amigos?
O modo Gotham Career de PGR4 sofreu algumas mudanças em relação ao que estávamos acostumados, mas em compensação foi intensificado e direcionado para uma disputa maior por ranking. Aqui você compete contra corredores de todos os níveis em uma temporada completa composta de 46 séries de campeonatos, três torneios maiores e vários eventos apenas para convidados.
Você começa o Career como um corredor amador que ocupa a 72ª posição e, para melhorar sua avaliação (Amador, Profissional, Hot Shot e Master), precisará dos Kudos. Por falar neles, os Kudos são pontos que medem o estilo, a habilidade e a coragem que você demonstra durante uma corrida, por exemplo ao fazer manobrar estilosas e derrapagens.
PGR4 adiciona os Kudos Star, que premiam sua performance conferindo-lhe estrelas. Juntando os chamados Kudos, eles servem para outro propósito, o de moedas para fazer compras na PGR Shop - que vende novos veículos, pistas, capacetes e muito mais.
Jogando no multiplayer, seja com um amigo ao lado ou do outro lado (na Live), a diversão é garantida. A sensação de velocidade é simplesmente incrível, os gráficos de nova geração - ainda melhores que PGR3 - impressionam pelo realismo.
É só criar uma Corrida Personalizada em que vários carros e motos estão já predisponíveis livremente, além de pistas de qualquer cidade (nas badaladas Las Vegas, Tóquio, Nova York, Nürburgring, Xangai, São Petersburgo, Macau e Quebec) e com qualquer condição climática.
Outras opções de personalização incluem o número de voltas do circuito e quantos competidores você enfrentará. Depois então é só pisar fundo em tela dividida, com ou sem veículos controlados pela AI (Inteligência Artificial).
Na Live, há o "On Demand", que permite fazer o upload de fotos capturadas no modo Photo (é só parar o jogo a qualquer momento e capturar uma imagem da tela). No geral, o único problema é a complicada missão de encontrar alguém para desafiar.
Duas ou quatro rodas?
Pela primeira vez na história da franquia agora você pode escolher entre carros e motos. As motos garantem uma nova forma de enxergar as corridas e quebram a rotina principalmente daqueles gamers que estão migrando das versões anteriores do jogo da Microsoft.
Não que pilotá-las seja uma experiência inesquecível, na verdade, pode até ficar um pouco abaixo do esperado para quem acompanhou os vídeos e previews antes do lançamento. Ainda assim, a inserção não deixa de ser um ponto positivo e que tem tudo para receber ótimas melhorias no futuro.
Afinal carros e motos se enfrentam de forma unificada na pista, aumentando o dinamismo e o desafio. Pilotar uma moto não significa simplesmente alta velocidade e maiores possibilidades de esquivas e pontuação com manobras, mas uma maior vulnerabilidade que por vezes resultará em quedas - basta um engraçadinho de carro lhe dar um "chega pra lá" para seu motoqueiro se estatelar no chão e perder algumas preciosas posições.
Na chuva ou na neve?
O fator climático de PGR4 é, sem dúvida, um dos maiores destaques do jogo em se tratando de implementação - agora eles podem variar durante a corrida e interferir no desempenho do seu veículo. Sem contar que fica lindo demais jogar na chuva, com a visão de jogo dentro do carro (cockpit) e observando a pista molhada, o vidro escorrendo água e os pára-brisas ligados pra lá e pra cá.
PGR consegue um bom balanço entre simulação e arcade. Claro que não é comparável a um Forza 2 em termos de realismo, mas para ser sincero é muito melhor que nunca abandone suas raízes arcade.
Dos carros famosos às motos iradas, e diferentemente de PGR3, o quarto game da série apresenta perceptíveis e significativas diferenças entre a mecânica de um veículo e outro. Não tem essa de "controlo um carro então controlo todos", os aspectos de cada um vão além da velocidade e se aproximam do real. Principalmente com os diferentes climas meteorológicos, que também influenciam no controle - ou você pensava que dirigir em uma forte tempestade era o mesmo que em um dia de céu limpo?!
Os carros não têm danos reais - o que particularmente eu gosto, já que a intenção da série nunca foi a de ser um simulador ou algo do tipo. Apresenta cenários visualmente criativos e diversificados. Passear pela garagem olhando os carros que já possui proporciona um orgulho recompensador. Rotacionar rapidamente a câmera 360 graus com o analógico direito é fantástico. Os diferentes tipos de veículos fazem barulhos distintos. As músicas durante as competições empolgam com muito rock'n roll, techno e outros. Resumindo: Project Gotham Racing 4 é uma das melhores opções de corrida arcade dos últimos tempos.
No mais, a arte da box consegue dizer tudo de importante sobre o jogo: o número "4", um céu nublado, a pista molhada e o leve reflexo de uma moto na lataria do carro nervoso que ocupa toda a capa. Perfeito.